Correspondência
22 de Agosto de 2021

Todas as Coisas do Mundo: Carta de Intenções





Eu já tinha escrito um texto para esta primeira newsletter. Comecei a escrevê-la mal decidi que ia ter uma - o que já foi há algum tempo - mas decidi recomeçar. Quero que este lugar seja muitas coisas, todas elas de uma natureza bastante diferente da das redes sociais onde todos nos encontramos durante a maior parte do tempo que passamos online. Por outro lado, sei que o email também pode ser um buraco negro sugador de atenção e tempo, por isso não vou ser ingénua e afirmar que encontrei a solução - eu sei que não encontrei. Mas estou verdadeiramente a tentar gerir a minha vida de outra forma, que beneficie a minha saúde mental (principalmente) e que, consequentemente, me permita evoluir no meu trabalho e aprofundar as relações que me interessam, no melhor sentido do termo.

Até esta data, 47 pessoas subscreveram esta newsletter. Comentei isto com o Ricardo e a Elisa - olá Ricardo e Elisa! - no trabalho, um dia destes. Não é fantástico que 47 pessoas queiram receber correspondência minha? Que 47 pessoas estejam interessadas em acompanhar e conhecer o meu trabalho (e a mim, inevitavelmente)? Eu, se pensar nisso a sério, acho mesmo incrível. Mas faço esta menção para dizer que devo ter, neste momento, mais de 1000 seguidores no Instagram. Desde que criei este lugar que esse número nunca me pareceu mais abstracto. Os números são uma ilusão, e eu também sei que fui uma falsa seguidora de muita gente. Parece-me que este instinto de nos colarmos a uma pessoa numa rede social não quer mesmo dizer nada. Não é por isso que vamos estar a par de nada em concreto, nem é por isso que nos vamos lembrar dela no futuro. Acho genuinamente melhor ideia fazer o download de uma imagem que gostamos (caso seja um/uma artista) ou imprimi-la e colar na parede ou comprar (?!?!?), caso seja possível. Ou então, noutro caso, subscrever uma revista e recebê-la em casa porque gostamos dos temas que abordam. Aqui à procura de exemplos não me surge mais nenhum mas, se não houver outra razão para ‘seguir’ aquela pessoa/página fora do contexto da rede social, então não há motivo suficiente, certo? É só um gesto infinito de acumulação sem significado. Mais acrescento que o que eu preciso neste momento são de poucas coisas (ou as suficientes), com significado.

Após esta pequena introdução sobre redes sociais, apresento as minhas intenções para esta newsletter:
  1. É um lugar para conversar. Uma das coisas que mais gosto de fazer é conversar e trocar ideias. Por isso podem considerar cada correspondência um convite para conversarmos.
  2. É um lugar para partilhar por onde anda o meu trabalho.
  3. É um lugar para vos contar o que estou a ler e a ver. Porque acho que isso é das coisas mais bonitas dos encontros não algorítmicos: poder receber referências que talvez não nos chegassem de outra forma.
  4. É um lugar para vos pôr a par do que estou a fazer neste momento. Mas tenho aqui que deixar uma pequena promessa para comigo própria, que é: não falar de coisas que estou a planear fazer, e limitar-me a partilhar aquilo que fiz no passado recente e que portas foram abertas. As portas fechadas deverão ficar ocultas.
  5. O ponto 5 vou deixar em aberto porque posso querer colocar outras coisas do mundo.

Relativamente à regularidade com que esta newsletter será enviada: comprometo-me a enviá-la de 2 em 2 meses. Para ser um lugar mesmo rico não vejo porque fingir que tenho muitas coisas para dizer todos os meses ou todas as semanas. Não tenho assim tanto que se justifique, pelo menos para já, e a verdade é que estou numa missão de simplificar e organizar a minha vida e aprender sobre essa ideia ancestral chamada privacidade. Mas fica a promessa de que em Outubro receberão outra carta. Até lá, aguardo cartas vossas, com ideias ou perguntas ou referências. Aqui estarei.

Maria Miguel von Hafe